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sábado, 13 de março de 2010

Com a garrafa na mão

Ontem
eram por volta das dez da noite e passeava os meus cães, quando passou por mim uma linda rapariga, com uns olhos gigantes, vivos, lindos.
Vestia coisas à rapariga de 27 anos, e muito bem.
Na mão levava uma garrafa de tinto - e notei que era do Alentejo -
pelo gargalo, qual levada à força para um destino incerto.
O que é certo é que era para beber, e que ela também dali beberia, pois os seus passos certos, largos, amplos, musicados pelo som de umas botas negras de cabedal que batiam sem cerimónias contra as pedras inseguras da calçada,
tudo davam a entender que não estava para brincadeiras, esta menina.
Ao passar olhou-me de lado, com segurança de que eu tinha visto a garrafa.
Notei um ligeiro sorriso. Passou ainda a olhar de esguelha, mas ao olhar para traz ela não olhou; de certeza com medo que lhe tirasse o vinho.

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