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domingo, 8 de maio de 2011

O cheiro da sangria

Os cheiros
os fumos
o burburinho humano alegre
o tlintar de copos
o som do pão a ser cortado
aquel senta-se aquele levanta-se
o cheiro da sangria

sábado, 26 de março de 2011

O Silêncio das Rolas

Cansada sentas-te na tua cadeira de baloiço. Eu, como gosto, no meu banquinho rente ao chão.
Ainda tens terra nas unhas e seguras um copo meio cheio de um tinto que hoje ainda me sabe melhor
Vejo-te a baloiçar com o som das rolas ao entardecer
As tuas pernas à vontade,
Os teus calções sujos,
O teu cabelo apanhado
O teu queixo levantado
Olhas-me e sorrio
e sorris
e bebemos no silencio das rolas

Quero um copo na mão

Sem dono
sem dona
ou contigo
quero um copo na mão
quero que mo encham
com um tinto da cores dos teus lábios de ontem à noite
Fica comigo hoje também,
vamo-nos provar
deliciar e pensar em nada.
Somos livres agora

O Nada e o vinho




Se com vinho te embebedas, sê feliz,
Se sentado com uma cara como a lua (linda), sê feliz,
Uma vez que o propósito do universo é o nada;
então visualiza o teu nada e, enquanto és, sê feliz!

..........

Bebe vinho, ele te devolverá a mocidade,
a divina estação das rosas, da vida eterna,
dos amigos sinceros. Bebe, e desfruta
o instante fugidio que é a tua vida.

Omar Khayyam

segunda-feira, 7 de março de 2011

18cm


Sonhos com 18 centímetros
perfeitos e sensuais
ainda que fossem 18 milímetros
outros nao haveria iguais

Tenho um desejo constante
por um corpo belo e fascinante
é esse que quero agora,
a cada hora e sem demora

Vejo-te de frente e detrás
e o meu corpo estremece,
acorda assim e assim amanhece
como desejo o que nunca me dás

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Talvez que eu morra na praia

Talvez que eu morra na praia
Cercado em pérfido banho
Por toda a espuma da praia
Como um pastor que desmaia
No meio do seu rebanho.

Talvez que eu morra na rua
E dê por mim de repente
Em noite fria e sem luar
Irmão das pedras da rua
Pisadas por toda a gente.

Talvez que eu morra entre grades
No meio de uma prisão
Que o mundo além das grades
Venha esquecer as saudades
Que roem meu coração

Talvez que eu morra no leito
Onde a morte é natural
As mãos em cruz sobre o peito
Das mãos de Deus tudo aceito
Mas que eu morra em Portugal.

(Alain Oulman/Pedro Homem de Melo)

E então...o fado da morte

E Fostes Tu Hoje
E Antes Foi Ela
E Ainda Antes
E Antes
Antes
E Quando Será A Minha Vez
Espero Ainda Hoje Por Esta Morte
Que Me Acompanha
Que Me Desperta Despois De Acordar
Cada Dia
Vejo Tudo Pela Última Vez
Desejo Tudo Pela Última Vez
Amo Tudo Pela Ultima Vez
Quero O Bem De Todos Mais Uma Vez
Sou Amigo Pela Última Vez
Olha-Me A Morrer
E Vê
Vê A Tua Vez
Agora
Que Melhor Presente Posso Eu Dar A Um Grande Amigo
Do Que A Consciência Da Sua Própria Morte?
Disfruta Deste Meu Fado Da Morte
E Vive

Enquanto espero, verto um tintinho quentinho num copo antigo e riscado

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ruba'iyat e o vinho


Não vamos falar agora, dá-me vinho. Nesta noite
a tua boca é a mais linda rosa, e me basta.
Dá-me vinho, e que seja vermelho como os teus lábios;
o meu remorso será leve como os teus cabelos.



Busca a felicidade agora, não sabes de amanhã.
Apanha um grande copo cheio de vinho,
senta-te ao luar, e pensa:
Talvez amanhã a lua me procure em vão.



Hoje os meus anos reflorescem.
Quero o vinho que me dá calor.
Dizes que é amargo? Vinho!
Que seja amargo, como a vida.

Quando me falam das delícias que na outra vida
os eleitos irão gozar, respondo:
Confio no vinho, não em promessas;
o som dos tambores só é belo ao longe.


Bebe vinho, ele te devolverá a mocidade,
a divina estação das rosas, da vida eterna,
dos amigos sinceros. Bebe, e desfruta
o instante fugidio que é a tua vida.


Do Rubba'iyat de Omar Khayyam