sábado, 23 de junho de 2012

Para relembrar, alguns do Omar

O que vale mais? Meditar numa taverna, ou prosternado na mesquita implorar o Céu? Não sei se temos um Senhor, nem que destino me reservou.
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 Olha com indulgência aqueles que se embriagam; os teus defeitos não são menores. Se queres paz e serenidade, lembra-te da dor de tantos outros, e te julgarás feliz.
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 Busca a felicidade agora, não sabes de amanhã. Apanha um grande copo cheio de vinho, senta-te ao luar, e pensa: Talvez amanhã a lua me procure em vão.
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 Alcorão, o livro supremo, pode ser lido às vezes, mas ninguém se deleita sempre em suas páginas. No copo de vinho está gravado um texto de adorável sabedoria que a boca lê, a cada vez com mais delícia. ....
 Há muito tempo, esta ânfora foi um amante, como eu: sofria com a indiferença de uma mulher; a asa curva no gargalo é o braço que enlaçava os ombros lisos da bem amada.
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 Hoje os meus anos reflorescem. Quero o vinho que me dá calor. Dizes que é amargo? Vinho! Que seja amargo, como a vida.
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 Não vamos falar agora, dá-me vinho. Nesta noite a tua boca é a mais linda rosa, e me basta. Dá-me vinho, e que seja vermelho como os teus lábios; o meu remorso será leve como os teus cabelos.
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 Bebo, mas não sei quem te fez, ó grande ânfora; podes conter três medidas de vinho, mas um dia a Morte te quebrará. Numa outra hora perguntarei como foste criada, se foste feliz, ou por que serás pó. ...
 Não me lembro do dia em que nasci; não sei em que dia morrerei. Vem, minha doce amiga, vamos beber deste copo e esquecer a nossa incurável ignorância.
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 Na estação das rosas procuro um campo florido e sento-me à sombra com uma linda mulher; não cuido da minha salvação: tomo o vinho que ela me oferece; senão, o que valeria eu? E por hoje chega

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Rubaiyat de Omar Khayyam

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O Vinho a falar

Um casal de velhotes estava sentado à mesa.

O marido, depois de beber um copo de vinho, disse:

- Amo-te tanto que não sei se conseguia viver sem ti...

A mulher pergunta:

- Isso és tu a falar, ou o vinho?

- Sou eu a falar, para o vinho.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Um pouco

Recentemente tenho andado a tomar pouco
Não por causa daqueles que mal dizem do meu vinho,
coitados, fracos, indecentes, invejosos, enfim, doentes.
Não por causa de alguma crise dessas que dá aos fracos, lá pelas zonas do fígado.
Mas somente porque causa da crise.
Com uma só garrafa na mesa, bebo com temor,
bebo com saudade
bebo com respeito
bebo com dúvida
Deixo então um pouco no fim do copo
para que não seja esquecido
e bebo-o no final, antes de me levantar.
Muitas vezes ainda olho para a garrafa para ver se houve algum milagre
daqueles que põem vinho de volta
Ó vinho, volta pra trás.....

domingo, 8 de maio de 2011

O cheiro da sangria

Os cheiros
os fumos
o burburinho humano alegre
o tlintar de copos
o som do pão a ser cortado
aquel senta-se aquele levanta-se
o cheiro da sangria

sábado, 26 de março de 2011

O Silêncio das Rolas

Cansada sentas-te na tua cadeira de baloiço. Eu, como gosto, no meu banquinho rente ao chão.
Ainda tens terra nas unhas e seguras um copo meio cheio de um tinto que hoje ainda me sabe melhor
Vejo-te a baloiçar com o som das rolas ao entardecer
As tuas pernas à vontade,
Os teus calções sujos,
O teu cabelo apanhado
O teu queixo levantado
Olhas-me e sorrio
e sorris
e bebemos no silencio das rolas

Quero um copo na mão

Sem dono
sem dona
ou contigo
quero um copo na mão
quero que mo encham
com um tinto da cores dos teus lábios de ontem à noite
Fica comigo hoje também,
vamo-nos provar
deliciar e pensar em nada.
Somos livres agora