Olhando para os aqueles olhos,
quero te-los próximos dos meus lábios
olhando aquele nariz....
reminiscências dos tempos dos faraós
olhando para aquela boca,
com aqueles lábios rosados escuros,
carnudos,
quentes,
(serão quentes?)
que quero beber num longo trago
olhando para aquele sorriso, contagiante, límpido
olhando para aquele corpo,
perfeito, complementado em si mesmo por cada ângulo e curva
olhando para aquelas pernas esbeltas, perfeitas, sem erros
olhando para aqueles pés, lindos, sem desculpas
olhando para aquele rabo
de chorar de perfeição e pureza,
que tanto quero acarinhar
Vejo,
a alma para além do espírito
a mente para além do corpo
e sinto
compaixão por todos os que se apaixonam que nem parvos
pois parvos são,
como parvos actuam,
e como parvos actuarão
até que finalmente, quando,
dentro de poucos anos,
tudo estiver acabado, exausto, gasto,
não quererão ficar com nada do que era lindo e fantástico
e nem as memórias desejarão guardar.
Encho o copo,
sem egoísmo,
com um tinto qualquer português dum clima árido e solo seco e sedento de
quem sabe.....amor
e bebo por compaixão
compaixão por aquele eu que vejo ali
aquele eu que já fui ou sou
e outros que vejo e que nem bebem,
e os quem nem vejo nem nunca verei,
coitados
ah, o amor,
ah, o vinho,
quantas vezes as memórias e os desejos não são melhores do que a realidade?
Acordem!
"Come, fill the Cup, and in the fire of Spring Your Winter-garment of Repentance fling: The Bird of Time has but a little way To flutter--and the Bird is on the Wing." Omar Khayyam O vinho, ou tudo o que bebemos (recebemos) é algo pelo que temos de estar agradecidos. Tudo nos deve fazer feliz como o vinho que bebemos.
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domingo, 23 de maio de 2010
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