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sábado, 28 de agosto de 2010

Se não estivessem a morrer

Se vocês não estivessem a morrer
de quem seria a culpa
por mim
culpado sempre fui
pela loucra diária
louco de chorar por um amor
que não existe
havia algum fado como eu
pode ser
havia algum eu morrendo
como vocês agora
eu vivo imortal
pois eu amo sempre
este meu choro de sorriso nos lábios
com um copinho na mão
parecendo inderefente à sua voz
ao calor do seu corpo
como ninguém ama como eu
estão todos a morrer
até o meu amor
esvazio o copo
e sorrindo deixo esta festa

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Estas tuas raízes

Que saudades
saudades
saudades
ouvi hoje alguém chamar por ti
tu
que já nem existes
que será quem se chama
como será
entrou-me esse teu nome como um espinho
pelo peito adentro onde tudo está oco
ou escuro como o tinto
ou pálido como o branco
uma repentina dor de cabeça
atira-me contra uma parede qualquer
e fico a pasmar a calçada
esbranquiçada
e pisada
quando te esquecerei
entro numa porta com um cheiro familiar
deverei esquecer-te?
e bebo uma
quererei esquecer-te?
como bebíamos
desta vez não deixarei de amar outra
porque tu foste a melhor
estas tuas raízes
tenazes na sua intenção
de me sufocar
ou separar
se não as molhasse
já há muito não saberia
o tudo o que me és
o tudo o que te fui
o tudo o que somos sempre
como desejo ouvir a tua voz
como desejo tocar a tua pele