segunda-feira, 7 de março de 2011

18cm


Sonhos com 18 centímetros
perfeitos e sensuais
ainda que fossem 18 milímetros
outros nao haveria iguais

Tenho um desejo constante
por um corpo belo e fascinante
é esse que quero agora,
a cada hora e sem demora

Vejo-te de frente e detrás
e o meu corpo estremece,
acorda assim e assim amanhece
como desejo o que nunca me dás

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Talvez que eu morra na praia

Talvez que eu morra na praia
Cercado em pérfido banho
Por toda a espuma da praia
Como um pastor que desmaia
No meio do seu rebanho.

Talvez que eu morra na rua
E dê por mim de repente
Em noite fria e sem luar
Irmão das pedras da rua
Pisadas por toda a gente.

Talvez que eu morra entre grades
No meio de uma prisão
Que o mundo além das grades
Venha esquecer as saudades
Que roem meu coração

Talvez que eu morra no leito
Onde a morte é natural
As mãos em cruz sobre o peito
Das mãos de Deus tudo aceito
Mas que eu morra em Portugal.

(Alain Oulman/Pedro Homem de Melo)

E então...o fado da morte

E Fostes Tu Hoje
E Antes Foi Ela
E Ainda Antes
E Antes
Antes
E Quando Será A Minha Vez
Espero Ainda Hoje Por Esta Morte
Que Me Acompanha
Que Me Desperta Despois De Acordar
Cada Dia
Vejo Tudo Pela Última Vez
Desejo Tudo Pela Última Vez
Amo Tudo Pela Ultima Vez
Quero O Bem De Todos Mais Uma Vez
Sou Amigo Pela Última Vez
Olha-Me A Morrer
E Vê
Vê A Tua Vez
Agora
Que Melhor Presente Posso Eu Dar A Um Grande Amigo
Do Que A Consciência Da Sua Própria Morte?
Disfruta Deste Meu Fado Da Morte
E Vive

Enquanto espero, verto um tintinho quentinho num copo antigo e riscado

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ruba'iyat e o vinho


Não vamos falar agora, dá-me vinho. Nesta noite
a tua boca é a mais linda rosa, e me basta.
Dá-me vinho, e que seja vermelho como os teus lábios;
o meu remorso será leve como os teus cabelos.



Busca a felicidade agora, não sabes de amanhã.
Apanha um grande copo cheio de vinho,
senta-te ao luar, e pensa:
Talvez amanhã a lua me procure em vão.



Hoje os meus anos reflorescem.
Quero o vinho que me dá calor.
Dizes que é amargo? Vinho!
Que seja amargo, como a vida.

Quando me falam das delícias que na outra vida
os eleitos irão gozar, respondo:
Confio no vinho, não em promessas;
o som dos tambores só é belo ao longe.


Bebe vinho, ele te devolverá a mocidade,
a divina estação das rosas, da vida eterna,
dos amigos sinceros. Bebe, e desfruta
o instante fugidio que é a tua vida.


Do Rubba'iyat de Omar Khayyam

sábado, 25 de dezembro de 2010

Cura-me outra vez

De novo preciso de ti
cura-me de outro amor que enterro
amor brutal e fantástico
como todos os amores sempre o foram

Vou ai e fico uma noite e quero ai dormir
quero de novo os teus seios
grandes firmes, jovens, conhecidos
quero de novo correr pelas tuas ancas
com os meus lábios
quero sentir-te,
cheirar-te
beber-te

Cura-me esta noite
ensina-me de novo onde está a liberdade
deixa-me visitar o teu jardim
entrega-te à minha sede

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Manter segredos, prosa fluída

Um segredo traído, inimigo é
um segredo escondido
nem segredo é

Nas tuas mãos amigáveis coloco
os meus segredos e a minha alma
descansa

Abre a boca e protege-me
nunca falando de mim
com a confiança que me deste
posso descansar enfim

E se o copo te encherem
para te soltar a língua calada
bebe com os que lá estiverem
mas não lhe temperes a salada

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A paixão e o vinho

Ahh jovens enamorados!
Dizem, como se só eles provassem disto, que é a paixão louca e química.
Já fui jovem e tive amores bem-amados, correspondidos, rechaçados e escondidos. Amei muitas interior e exteriormente, mas agora, nesta idade madura, sei que é agora que sinto mais paixão .
É mesmo agora, antes não.
Sei também que é parva, dura e que perdura, sem razão, como todas. Proibida, como muitas. Ah como me dói quando não me olha.
Quanto faço para que te sintas bem.
Nesta idade, sei que tudo isto é básico, químico, controlável e perecível mas, não querendo controlar o teu coração, não querendo ferir-te com a minha intenção, tomo um copinho e outro, até que o químico me chegue ao coração.